23/02/2012

Até que ponto os pacientes querem ser informados sobre sua doença?

 

A partir de uma revisão da literatura, busca-se discutir a relação médico-paciente, apresentando abordagens antropológicas e comunicacionais, vivências de médicos enquanto pacientes, concepções fundamentais da medicina que indicam a necessidade de humanização e algumas reflexões teórico-filosóficas, principalmente relacionadas a hermenêutica. A reflexão sobre a humanização da medicina, em particular da relação do médico com o paciente, para o reconhecimento da necessidade de uma maior sensibilidade diante do sofrimento do paciente. Esta proposta, em relação a qual várias outras convergem, aspira pelo nascimento de uma nova imagem profissional, responsável pela efetiva promoção da saúde, ao considerar o paciente em sua integridade física, psíquica e social, e não somente de um ponto de vista biológico.

Nos últimos anos, uma boa comunicação e explicação aos pacientes sobre sua doença têm sido considerada como a melhor conduta médica para ajudar as pessoas a conviverem com o suas enfermidades esse diagnóstico traz consigo muito medo, incerteza e desesperança que podem de alguma forma serem aliviadas pela conversa sincera entre o médico e o paciente. Estas mudanças, consideradas fundamentais para o nascimento de uma nova prática da medicina, resultam de uma relação complexa entre teoria e prática, configurada no âmbito da ciência moderna. Este conflito fica ainda mais explícito se considerarmos os fatores sócio-políticos determinantes do processo saúde-doença.

Apesar de muitas pesquisas terem documentado a vontade dos pacientes com câncer, por exemplo, em saber sobre sua doença, é também reconhecido nos dias de hoje que há variações na quantidade de informação demandada pelos pacientes, o que varia em momentos diferentes dentro do desenrolar do processo doentio. Principais abordagens da relação paciente-médico A consciência da necessidade de um desenvolvimento da interação comunicativa entre médico e paciente foi se ampliando nos anos 60 através dos estudos de psicologia médica ,de análises psicanalíticas da figura do médico , assim como da experiência dos grupos ao introduzir a dimensão psicológica na relação médico-paciente e a necessidade da formação psicoterapêutica para o médico . Entre várias outras teorias da comunicação. Percebe-se então, uma necessidade daqueles que lidam com pacientes de doenças crônicas, em saber como prover informações a pacientes respeitando seu limite sobre as mesmas. Por isso, há uma necessidade urgente em se compreender por que pacientes resistem em saber sobre sua doença.

Em 1980, um oncologista (especialista em câncer) que era também o editor de uma das mais conceituadas revistas médicas (The New England Journal of Medicine), após descobrir que estava com câncer, demonstrou não querer saber de todas as informações sobre sua doença nem ter que encarar as incertezas das diferentes opções terapêuticas a ele oferecidas.

Nas décadas de 60 e 70, foram pioneiros na área da sociologia da saúde os trabalhos sobre a relação médico-paciente e o consenso intencional - atualmente, em uma outra versão, chamado de consentimento informado - originado da atenção à defesa dos direitos dos consumidores. Uma necessidade ainda muito recente de reduzir os efeitos nocivos de comportamentos inadequados do médico no contato com o paciente resultou, em vários países, no aumento das denúncias e também em aumento dos gastos com a saúde.

As diferenças do conhecimento médico-científico e do conhecimento médico-familiar e relaciona tais diferenças à relação doente-médico. A relação doente-médico é considerada como produtora de ansiedade, principalmente pelas classes populares, porque não possuíam critérios objetivos de avaliação, enfatizando as dificuldades com o padrão comunicacional, especificamente, o médico "não ser franco". Em fim, toda essa questão nos remete ao titulo desse artigo: Até Que Ponto os Pacientes Querem ser Informados Sobre sua Doença ?

 

Autora:



*Adriana da Cunha Leocadio – Especialista em direito e saúde, Bacharel em Direito, Membro da Organização Mundial da Saúde (OMS).

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