31/12/2011

Exame do Aparelho Cardiovascular

O aparelho cardiovascular é formado por um órgão propulsor de sangue, coração, e uma rede vascular de distribuição. Excitados periodicamente, os músculos do coração se contraem impulsionando o sangue através dos vasos a todas as partes do corpo. Os vasos condutores do sangue para fora do coração são as artérias. Estas ramificam-se tornando-se progressivamente de menor calibre terminando em diminutos vasos denominados arteriolas. A partir destes vasos o sangue é capaz de realizar suas funções de nutrição e absorção atravessando uma rede de vasos denominados capilares de paredes muito finas e permeáveis a troca de substâncias entre o sangue e os tecidos. Dos capilares o sangue é coletado em vênulas que progressivamente coalescem em veias de diametros progressivamente maiores alcançando novamente o coração. Esta passagem do sangue através do coração e dos vasos sanguíneos é chamada de circulação do sangue (GEORGE,2000).

É necessário conhecer a projeção do coração e os grandes vasos da base na parede torácica(GEORGE,2000).

· Borda direita – Veia cava superior e o átrio direito (borda esternal direita).

· Borda esquerda – Artéria aorta artéria pulmonar e ventrículo esquerdo (borda esternal esquerda).

Realiza-se a inspeção e palpação simultaneamente. O cliente deve estar em decúbito dorsal elevado a 30º e o examinador do lado direito ou esquerdo. Investigam-se:

· Abaulamentos, depressões ou achatamentos pré-cordiais (olhando de maneira tangencial e frontal).

· Análise do ictus cordis ou choque da ponta ou ponto de impulso máximo (PIM) ou ponto apical. Varia de acordo com o biótipo, localiza-se no cruzamento da linha média clavicular esquerda com o 4º. ou 5º. espaço intercostal. Consiste em um impulso normal, periódico e circunscrito, sentido como uma pulsação suave de 1 a 2 cm de diâmetro. Este pode alterar sua localização em estado patológicos e fisiológicos. Os fisiológicos são:

- normolíneos – 4º espaço intercostal esquerdo, 6 a 10 cm da linha médio esternal.

- brevelíneos – 4º espaço intercostal esquerdo, a mais de 8 cm da linha médio esternal.

- longilíneos – 5º espaço intercostal esquerdo, a menos de 8 cm da linha médio esternal.

Nas patologias pode estar desviado ou ausentes. Em deformidades da caixa torácica, derrames pleurais ou pericárdicos e tumores(HORTA,1979).

· Pulsações epigástricas – podem ser vistas ou palpadas, correspondendo à transmissão na parede abdominal das pulsações aórticas. Problemas: quando estas pulsações forem intensas, por hipertrofia ventricular direita.

· Pulsações supra esternal ou na fúrcula esternal – podem aparecer e dependem das pulsações na croça da aorta. Problema: quando estas aparecem intensas por hipertensão arterial,aneurisma aórtico, insuficiência aórtica, hipertireoidismo.

Ausculta

Pode ser realizada com o cliente em várias posições: deitada, em decúbito lateral, sentado ou em pé. Os focos de ausculta são:

· Mitral (FM) – localiza-se na sede do ictus cordis.

· Aórtico (FAo) – localiza-se no 2º espaço intercostal direito na linha paraesternal.

· Aórtico acessório (FAA) – localiza-se no 3º espaço intercostal esquerdo na linha paraesternal (ponto ERB).

· Pulmonar (FP) – localiza-se no 2º espaço intercostal esquerdo na linha paraesternal.

· Tricúspide (FT) – localiza-se na base do apêndice xifóide.

A ausculta cardíaca começa no foco apical e vai ao longo da borda esternal esquerda até o foco aórtico e pulmonar. Após, coloca-se o cliente em decúbito lateral esquerdo e ausculta o foco mitral à procura de sopro ou ritmo trípices(PORTO,2000). Devemos observar:

- Ritmo: Classificando-o em regular ou irregular.

- Freqüência – número de batimentos cardíacos em 1 minutos.

OBS.: É importante a contagem simultânea do pulso apical (ictus cordis) e do pulso radial, pois em determinadas patologias poderá haver variação de um pulso para o outro.

- Bulhas cardíacas

· 1ª. Bulba (B1) – Corresponde ao fechamento das valvas mitral e tricúspide. Melhor ouvida no ictus cordis (ápice cardíaco).

· 2ª. Bulba (B2) – Corresponde ao fechamento das valvas aórtica e pulmonar, timbre mais agudo, duração menor que a 1ª. Bulba (melhor ouvida nos focos aórtico e pulmonar – base do coração).

- Arritmias cardíacas – é quando há alteração no ritmo, freqüência ou ambos.

Oxigenoterapia

É a administração de O2 a uma pressão maior que a encontrada na atmosfera ambiental quando há uma interferência com a oxigenação normal(PORTO,2000).

Materiais: bandeja, cateter nasal ou máscara facial, látex, umidificados, luvas de procedimento, gaze, esparadrapo, tesoura, abaixador de língua.

Método:

· Explicar ao paciente sobre o cuidado.

· Lavar as mãos.

· Organizar o material.

· Colocar o paciente em posição de Fowler

· Calçar as luvas.

· Unir o cateter ou a máscara ao látex e este ao umidificador.

· Medir, com o cateter, a distância entre a ponta do nariz e o lóbulo da orelha, marcando com esparadrapo, para determinar quanto o cateter deve ser introduzido.

· Abrir o fluxômetro e deixar fluir um pouco de oxigênio para evitar acidentes por saída intempestiva de oxigênio.

· Hiperestender (para trás) a cabeça do cliente e introduzir o cateter pelo assoalho de uma das narinas, até o ponto marcado. Ou adaptar a máscara à face do cliente e fixar com cadarço.

· No caso do cateter nasal, observar a posição deste através da boca do cliente – o extremo do cateter deve aparecer atrás da úvula: se ultrapassar o cavum, poderá haver náuseas, vômitos e perderá sua finalidade, pois o ar irá para o esôfago.

· Retirar as luvas.

· Fixar o cateter nasal com esparadrapo sobre o nariz ou a face do cliente.

· Regular o fluxo de oxigênio até a quantidade prescrita.

· Deixar o cliente confortável e o ambiente em ordem.

· Lavar as mãos.

· Anotar o cuidado prestado.

Conclusão

Sendo assim, torna-se de fundamental importância para enfermeiros e outros profissionais de saúde, saber como reage o sistema cardiovascular em resposta ao esforco físico e hábitos alimentares dos pacientes, analisando-se os ruídos produzidos por esse sistema, tais como as bulhas,seus ritmos,freqüência dos sons produzidos, assim como os métodos para realização do exame.



Referências Bibliográficas

GEORGE, Júlia B.(cols.) Teorias de Enfermagem: Fundamentos da Prática Profissional. 4.ed., Porto Alegre: Artmed, 2000.


HORTA, Wanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. Ribeirão Preto: Pedagógica, 1979


PORTO CC – Semiologia Médica, 4ª ed, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2000.

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