Ao iniciar a avaliação do sistema respiratório, o enfermeiro deve fazer uma entrevista.
Segundo Posso ( 2003), algumas doenças incidem mais em determinadas faixas etárias, algumas profissões tem maior risco de adquirir doenças respiratórias.
É importante avaliar as queixas mais freqüentes como,tosse, expectoração, dispnéia, hemoptise e dor.Em seguida faz- se o exame físico.
A anamnese respiratória visa a acolher informações sobre as condições atuais e seus problemas respiratórios progressivos. A entrevista deve concentrar-senas manifestações clínicas da queixa, história patológica progresso, história familiar e outros dados psicossociais.
As queixa respiratória mais comum são a dispnéia, a tosse, a expectoração, a hemoptise e a dor torácica.
Segundo Porto(2004), Dispnéia significa dificuldade respiratória .É um sintoma subjetivo e reflete a avaliação do paciente sobre o seu grau de trabalho respiratório relacionado a uma tarefa e/ou a determinado esforço. Os pacientes podem definir dispnéia como falta de ar, sufocação, aperto, perda do fôlego ou respiração curta. o sinal objetivo da dispnéia é a utilização da musculatura acessória.
Segundo Porto(2004), A hemoptise corresponda à expectoração de sangue pela boca. Deve-se tentar identificar a origem do sangue ( pulmões, sangramento nasal, estômago), se ocorreu decorrência de tosse forçada,além da freqüência e a quantidade d expectoração. O sangue proveniente dos pulmões, em geral é vermelho vivo; contudo, se estiver no pulmão por tempo prolongado, pode se tornar vermelho escuro ou acastanhado.
A dor torácica pode estar associada a problemas pulmonares au cardiacos, e a diferenciação entre essas duas causas é muito importante. Geralmente, a dor por origem pulmonar é manifestada por uma queimação constante e persistente (retroesternal), ou de forma aguda, com pontada que se acentua com o movimento e a inspiração profunda (dor pleurítica). A dor também pode se originar nas partes ósseas e cartilaginosas do tórax. A localização, a duração, a intensidade e tipo de doe são dados importantes a serem pesquisados. Deve-se questionar a existência de outros sintomas ou situações relacionados a dor torácica.
O exame físico deve ser realizado após a entrevista. As técnicas de inspeção, palpação, percussão e ausculta são empregadas. Ao realizar-se o exame, é necessário saber os marcos anatômicos das regiões posterior, lateral e anterior do tórax. para descrever uma anormalidade no tórax, é preciso definir sua localização em duas dimensões: ao longo do eixo vertical e em torno da circunferência torácica.
Inspeção
A inspeção pode ser de dois tipos: estática e dinâmica
Na inspeção estática, a examinadora deve conservar as condições da pele(colocarão, cicatrizes, lesões), pêlos e sua distribuição, presença de circulação colateral, abaulamentos e retrações.
A inspeção estática prossegue com a observação da caixa torácica. A forma do tórax apresenta variações em relação à idade, ao sexo e ao biótipo. As alterações no diâmetro anter-posterior ao transverso indicam algumas deformidades torácicas como:
- Torax em tonel é aquele em que o diâmetro antero-posterior iguala-se ao transversal e é frequentemente relacionado ao enfisema pulmonar, mas pode, algumas vezes, ser encontrado em idosos que não tenham dor esta doença.
- Tórax em funil ou infudibuliforme (pectus ecavatum) é uma deformidade no qual o esterno fica deprimido ao nível do terço inferior e os órgão se situam abaixo dele são comprimidos. diâmetro ãntero-posterior esta diminuído. Nos casos graves, o esterno pode chegar a tocar a coluna espinhal. as causas do tórax em funil incluem o raquitismo, síndrome de Marfan e os distúrbios unigênitos do tecido conjuntivo.
- Peito de pombo (pectus carinatum) é o posto do tórax em funil, qual o esteno projeta-se para frente, aumentando o diâmetro antero-posterior. As comunicações intratriais ou interventriculaires congênitas são as causas mais comuns, mas a asma, o raquitismo, a síndrome de Marfan e cifiescoliose congênita grave podem contribuir para o peito de pombo.
-Cifoescoliose torácica consiste na acentuação da curvatura torácica normal. O paciente adota uma postura encurvada ou aspecto corcunda. As causas incluem a osteoporos secundária ao envelhecimento, a tuberculose da coluna, a artrite reumatóide e os vícios de postura por tempo prolongado. Os pulmões situados abaixo dessa deformidade ficam distorcidos, ficando difícil a interpretação dos achados pulmonares.
- Abaulamento é o aumento do volume de um dos hemitoráx como, por exemplo, no derrame plural.
- Retrações é a restrição de um dos hemitoráx que corresponde à atelectasias.
Na inspeção dinâmica, a examinadora deve observar a dinâmica respiratória. A movimentação da caixa torácica é observada durante a respiração. A freqüência respiratória considerada normal para adultos varia, segundo diversos autores, entre um intervalo entre 12 a 22 inclusões respiratórias por minuto, e a relação entre a inspiração e a expiração normalmente é de 1:2. A movimentação respiratória é observada quanto sua amplitude e ou profundidade de expansão e ritmo, podendo alterar tornando a respiração superficial e profunda. A respiração abdominal é mais aparente nos homens, ao passo que as mulheres apresentam mais respiração torácica. O emprego da musculatura acessória, as retrações, a simetria e quaisquer movimentos paradoxais devem ser registrados.
O termo mais utilizado referente à amplitude, à freqüência, e ao ritmo respiratório são a taquipnéia, a bradpnéia, a hiperpnéia, a respiração de Cheyne-Stokes, a respiração de Biot e respiração de Kussmaul.
Palpação
As técnicas de palpação é empregada para a avaliação da traquéia e da parede torácica.
Na palpação da traquéia, a examinadora posiciona suavemente o dedo da mão em um dos lados da traquéia e o restante dos dedos do outro lado. A traquéia é suavemente deslocada de um lado para outro, ao longo de todas a sua extensão, enquanto a examinadora pesquisa massas, crepitações ou desvio da linha média pela palpação. A traquéia em geral é apresentada uma discreta mobilidade, retornando rapidamente a linha média após ser deslocada. As massas cervicais, mediastinais, atelectasias ou pneumotórax de grande volume podem deslocar a traquéia para um dos lados.
A parede torácica é palpada com a base palmar ou com a fase ulnar da mão que é posicionada com o tórax do paciente. As anormalidades observadas para a inspeção são investigadas mais detalhadamente durante a apalpação. A palpação associada a inspeção é especialmente eficaz na avaliação da simetria e amplitude dos movimentos respiratórios.
Durante a palpação, a examinadora avalia a presença de crepitações, dor da parede torácica (áreas hipersensíveis), tônus muscular, presença de massas, edema e frêmito palpável.
Para avaliar a expansibilidade torácica, a examinadora coloca as mãos espalmadas na face posterior do tórax, nas bases pulmonares. Os polegares encontram-se nas linhas média sobre a coluna , e os dedos ficam voltados para fora envolvendo a região lateral. Ao posicionar as mãos, faça-as deslizar um pouco para dentro, afim de fazer uma prega cutânea entre os polegares e a coluna.
À medida que o paciente inspira, as mãos do examinador devem deslocar-se para fora e para cima simetricamente. Qualquer simetria pode ser indicativa de um processo patológico na região.
As causas mais comuns de diminuição unilateral da expansão torácica incluem doença fibróticas do pulmão ou da pleura subjacente, derrame pleural, pneumotórax, pneumonia lobar, dor pleurítica com defesa associada a e obstrução brônquica unilateral. Na face anterior do tórax, as mãos devem estar posicionadas margeando as costelas inferiores.
Frêmito toracovocal é a transmissão da vibração do movimento do ar através da parede torácica durante a fonação. Realize a palpação da parede posterior do tórax, enquanto o paciente pronuncia palavras que produzem uma intensa vibração. As vibrações são transmitidas da laringe através das vias aéreas e podem ser palpadas na parede torácica. Utilize a parte óssea da palma das mãos e dos dedos da superfície ulnar
V. Referências
POSSO, M. Semiologia e Semiotécnica de enfermagem. 3º ed. São Paulo: Atheneu, 2003.
PORTO, C. Exame Clínico: Bases para a prática médica. 5º ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 443p.


