Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Purdue, nos EUA, aponta uma relação curiosa entre comportamento e fisiologia. Pessoas acima do peso, especialmente os homens, que sentiram qualquer tipo de discriminação por pelo menos nove anos, tendem a engordar mais, especialmente na cintura.
O motivo pelo qual isto acontece, porém, ainda não está claro. “Isto mostra como a discriminação fere as pessoas fisicamente e é um lembrete de como o tratamento injusto pode ser muito poderoso”, diz o autor do estudo Haslyn Hunte.
O estudo foi desenvolvido com base em dados de uma pesquisa sobre saúde e envelhecimento realizada com aproximadamente 1,4 mil americanos, no período de 1995 a 2004. Nele, Hunte constatou que as pessoas que relataram sofrer atos de discriminação com relação ao seu peso com frequência tinham maior tendência a ter um aumento na circunferência da cintura ao longo do tempo em comparação àqueles que não sofreram discriminação. Entre os homens, o aumento médio foi de 2,39 centímetros, enquanto nas mulheres o aumento médio foi de 1,88 centímetro.
Segundo o autor, o foco na circunferência da cintura, em vez do índice de massa corporal (IMC) – que mede a obesidade com base na altura e no peso – se justifica uma vez que a gordura abdominal é um indicador da qualidade da saúde cardiovascular.
“Há algumas indicações de que fatores de estresse, como a discriminação interpessoal, estão relacionados à concentração de gordura ao redor da cintura. Ainda não temos certeza do motivo e precisamos estender o trabalho para compreender como o que está acima da pele afeta o que está acontecendo sob a pele”, diz.
Para o autor, as pessoas que se sentem tratadas injustamente devem estar cientes desta ligação entre o estresse à sua percepção e analisar estratégias de enfrentamento, como o exercício ou outros comportamentos saudáveis, como um mecanismo de enfrentamento de estresse. “Mais importante ainda, como sociedade, devemos nos tornar mais conscientes sobre como tratamos uns aos outros e que a injustiça fere muito além um indivíduo”.
A expectativa é aprofundar o estudo por meio de biomarcadores, como o cortisol, um hormônio induzido pelo estresse, em relação aos efeitos da discriminação.
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com informações da Purdue University
Fonte: O que eu tenho?


